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sábado, 10 de setembro de 2011

10 anos

Faz amanhã 10 anos sobre os atentados contra o World Trade Center.
Faz amanhã 10 anos que estava eu na cozinha a lavar a louça e dei por mim a ver a notícia de 'última hora' que a tv anunciava. Noticiava que um avião tinha chocado contra uma das torres mais famosas de Nova Iorque.
Há 10 anos atrás eu tinha 12 anos, era uma criança. Uma criança que ainda não lidava com o significado de ataque terrorista, no fundo, com o que a maldade humana era capaz de fazer. Sei sim, que a certa altura, aquando do choque do 2º avião, eu percebi que não tinha sido um acidente. Percebi nessa altura que estava perante uma tragédia com dimensões que a minha mentalidade de criança de 12 anos não tinha capacidade para assimilar. Percebi que havia muita gente dentro das Torres e percebi no momento em que as Torres ruíram que todas elas iam morrer.
Faz amanhã 10 anos que vi a imagem que vou sempre associar a esta maldade ..."The falling man".


Passados 10 anos, esta imagem ainda me põe com pele de galinha. É a imagem de um tragédia. É a imagem de um homem que sabe que vai morrer, mas que entre ser devorado pelas chamas, escolhe ser livre, escolhe atirar-se para a morte e fá-lo de uma forma serena, Não se vê braços a gesticular. Vê-se um homem com os braços junto ao corpo, numa queda para a morte. E é nesta imagem que vejo os verdadeiros heróis do 11 de Setembro. 
É nesta imagem que percebi, ainda quando era uma criança, que há gente má. Que há gente que mata. Que há gente que faz o mal, dizendo fazer o bem. Que há gente que faz o mal e usa Deus para justificar a sua maldade, quando Deus não é mais que Amor, que o Bem.

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse.

[Nasceu um Mito]

Uma voz poderosa e um talento inegável. 
27 anos e uma vida perdida. Lamentável.

É muito triste saber que continuam a existir pessoas suicidas que brincam com a própria vida. Pessoas como a Amy Winehouse que têm tudo para serem felizes e não o são. No caso dela, talento não lhe faltava com a sua música a ter seguidores em todo o mundo. Oxalá tivesse tido a determinação para dizer não aos excessos e aproveitar a vida. Preferiu viver no fio da navalha e o desfecho ainda que anunciado não deixa de perturbar. Perturba-me a opção pela morte, mas perturba-me mais que tanta gente que tem sede de viver não tenha direito a opção.
Ainda assim ... rest in peace! 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Da fragilidade. Da mortalidade. Do medo.

Pertenço ao que muitos chamam  "Geração Morangos com Açúcar" .. Andava pr'ai no 9º/10º ano quando a série começou. Não é algo que me incomode que me conotem com essa série, o que me incomoda (e muito!) é esta ser rotulada de desprovida de valores e princípios, com jovens ocos e sem cérebro. De facto, sei que há quem o seja, mas não significa que possamos generalizar. Incomoda-me o julgamento que é feito pelas gerações mais velhas que a minha, como se nunca tivessem sido imaturos e até irresponsáveis em algumas situações da vida. Quem nunca o foi ?! Eu já. Sou irresponsável sempre que magoo alguém de quem gosto. Sou irresponsável sempre que não vou a uma aula. Sou imatura sempre que os meus pais me contrariam e eu amuo. Em tantas coisas ... o que não significa que não tenha valores. Longe, mas muito longe disso.
Quando está na berra, mais uma vez a "Geração Morangos com Açúcar" com a morte e as circunstâncias trágicas que envolvem todo o acidente que vitimou o Angélico Vieira, não falta quem aponte o dedo. Eu cá remeto-me ao silêncio, porque não me compete julgar ninguém nem o que quer que seja.
Penso sim na Vida e na sua fugacidade.
Eu que tenho 22 anos, tenho a perfeita consciência de que não sou imortal. Mas também não nego que me assusta toda a dimensão da morte. Assusta-me quando confrontada com notícias de que alguém jovem, não muito mais velho que eu, morre. Assusta-me a ideia de deixar os sonhos e projectos inacabados. Assusta-me hoje ter o mundo na mão e amanhã poder ter uma mão cheia de nada. Assusta-me a seriedade com que muitas vezes eu própria encaro a vida. Assusta-me ter a noção que ninguém sabe (se existir) o que está do lado de lá. Assusta-me a devastação que a morte deixa numa família. Assusta-me a morte, ponto. Ninguém se sente certamente preparado para morrer. Eu não sinto. Tenho tanto para viver e sonhar que fico com um nó na garganta com notícias como a dos últimos dias. Não que conheça rapaz, mas bolas, tão novo .. Ele tal como eu, certamente projectou na cabeça um futuro e sonhos. E puff  ... Num instante, num piscar de olhos passamos a deixar de conjugar os verbos no presente e passamos a conjugá-los no passado. Deixamos de estar fisicamente cá, junto dos nossos pais, irmãos, família, amigos como sempre estivemos.
Saramago dizia, quando um jornalista lhe perguntou se tinha receio de morrer, "não é tanto a morte, é o deixar de estar". Para mim são as duas coisas, a morte e o deixar de estar. Tenho medo.

E depois de toda este desabafo, vou Viver e achar-me Imortal enquanto Estou Cá.
Vou pegar na Vida e continuar a Sonhar ... E se realmente existir alguma coisa do lado de lá, espero encontrar lá quem me faz feliz Aqui.


"E de repente
Um mar sozinho,
Ninguém na margem
Ninguém no caminho 
...
Pode o céu ser tão longe."



[R.I.P]